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domingo, 1 de maio de 2011

Maio, nosso maio!

Para celebrar e refletir o 1º de MAIO


Maio, Nosso Maio from farid on Vimeo.

EM TEMPO: Conheça mais sobre os produtores da animação no ESTÚDIO GUNGA  . 


O estúdio é engajado com um processo cultural e tecnológico livres. Utiliza software livre e libera os arquivos fontes de suas produções.

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O vídeo foi lançado na sexta-feira, dia 29/04.

No portal Vimeo, foi dado o added to CREATIVE COMMONS entre a meia noite e a 1h já da segunda-feira, dia 02/05).

domingo, 12 de setembro de 2010

11 de setembro

Robert Fisk e o 11 de setembro: Duas guerras, milhares de mortos…

9 anos, 2 guerras, centenas de milhares de mortos…

E não aprendemos coisa alguma?

10/9/2010, Robert Fisk, The Independent, UK // Tradução de Caia Fittipaldi
O 11/9 nos enlouqueceu todos? Nossa homenagem aos inocentes que morreram há nove anos continua a ser um holocausto de fogo e sangue.
O 11/9 nos enlouqueceu todos? O quanto faz perfeito sentido, de um modo alucinado, enlouquecido, que a apoteose da tempestade de fogo há nove anos seja, hoje, um pregador pirado que ameaça nos ferir com outra tempestade de fogo à moda da queima de livros dos nazistas! E ameaça fazer piras de livros do Corão. Ou a campanha contra uma mesquita a ser construída a dois quarteirões do “marco zero” – como se o 11/9 tivesse sido ataque a cristãos que cultuam Jesus, em vez de ataque contra o ocidente ateu.
Mas, afinal, por que nos surpreender? Basta olhar para outros desses doidos que brotam depois de cada crime contra a humanidade: o semidoido Ahmadinejad; Gaddafi, o pegajoso pós-nuclear; Blair com aquele olho direito de maníaco e George W Bush, com suas prisões negras e torturas e a completamente lunática “guerra ao terror”. E o desprezível que viveu – e talvez ainda viva – numa caverna afegã e as centenas de al-Qaedas que criou, e o mullah Omar caolho – para não falar dos agentes lunáticos das agências de inteligência e da CIA principalmente – que não nos salvaram do 11/9 porque foram muito lentos ou idiotas demais para identificar 19 homens que atacariam os EUA. E lembrem: ainda que o Rev. Terry Jones continue persuadido a desistir de queimar livros do Corão, já há vários outros doidos como ele, de plantão, prontos a assumir seu lugar.
De fato, nesse sombrio 9º aniversário – e deus nos ajude, quando chegar o 10º, ano que vem – o 11/9 parece ter produzido só monstros, nenhuma paz, nenhuma justiça, nenhuma melhor democracia. Destruíram o Iraque – os doidos ocidentais e os doidos da cepa local – e massacraram 100 mil almas, ou 500 mil, ou um milhão; e quem liga? E mataram dezenas de milhares no Afeganistão; e quem liga? E enquanto a praga se espalha pelo Oriente Médio e pelo globo, eles – os pilotos da força aérea e os insurgentes, os fuzileiros e os homens-bomba, as al-Qaedas do Maghreb e do Khalij e do Califato do Iraque e as forças especiais e os garotos do apoio aéreo e os degoladores – degolaram mulheres e crianças e velhos e doentes e jovens e saudáveis, do Indus ao Mediterrâneo, de Bali ao metrô de Londres; que homenagem aos 2.966 inocentes que morreram há nove anos! Em nome daqueles mortos, oferecemos o holocausto que produzimos, de fogo e sangue; e, agora, a sandice do pregador doido de Gainesville.
Essas foram as perdas, é claro. Mas… quem ficou com o lucro? Bem, os mercadores de armas, é claro; e as Boeing e Lockheed Martin e os que vendem mísseis e fabricam aviões-robôs e peças de reposição para os F-16 e os mercenários sanguinários que confiscam terras de muçulmanos em nosso nome. Sobretudo agora, quando já produzimos mais de 100 mil novos inimigos para cada um dos 19 assassinos do 11/9. Os torturadores vivem boa vida, gozando seu sadismo nas prisões negras dos EUA – e seria conveniente que, nesse 9º aniversário, o mundo fosse afinal informado de que há um centro de tortura dos EUA, em pleno funcionamento, na Polônia –, homens (e mulheres, temo) que já aperfeiçoaram as técnicas de sufocamento e afogamento mediante as quais o ocidente guerreia as guerras contemporâneas. E, isso, sem esquecer todos os religiosos fanáticos do mundo, sejam do tipo Bin Laden, ou os barbudos do Talibã, sejam os homens-bomba, sejam pregadores malucos grisalhos de gravata como aquele pregador, o nosso maluco, o de Gainesville.
Mas Deus? Onde entra Deus em tudo isso? Um arquivo de citações sugere que todos os monstros brotados do ou criados no 11/9 são seguidores desse quixotesco redentor. Bin Laden reza a Deus – “que faça dos EUA uma sombra do que é”, como me disse, pessoalmente, em 1997 –, e Bush reza a Deus, e Blair rezava – e ainda reza – a Deus, e todos os matadores muçulmanos e milhões de soldados ocidentais matadores e também o “Doutor” (honorário) “Pastor Terry Jones” e seus 30 (talvez 50, porque, nessa “guerra ao terror” as estatísticas nunca batem) seguidores também rezam a Deus. E o pobre velho Deus, é claro, tem de ouvir todas as rezas cujo coro aumenta durante as guerras. Relembremos as palavras atribuídas a Deus, por poeta de outra geração: “Deus isso, Deus aquilo, e Deus sabe-se lá o quê! Santo Deus! Assim, meu trabalho fica pela metade!” [1] E foi só a Primeira Guerra Mundial!
Há apenas cinco anos – no 5º aniversário dos ataques às torres gêmeas/Pentágono/Pensilvânia – uma aluna perguntou-me, numa conferência numa igreja em Belfast, se o Oriente Médio se beneficiaria por lá haver mais religião. Não!, rugi, na resposta. É preciso menos religião! Deus é assunto de contemplação, não de guerras. Mas – e aqui somos jogados contra os recifes e rochas escondidas que nossos líderes querem que não vejamos, que esqueçamos, que as ponhamos de lado – há, sim, esse inferno de sangue que envolve todo o Oriente Médio. São povos muçulmanos que mantiveram sua fé, enquanto os ocidentais, que os oprimem militarmente, economicamente, culturalmente, socialmente – já perderam qualquer fé. Como é possível?, perguntam-se os muçulmanos. De fato, é soberbamente irônico que o Rev. Jones seja homem de fé, enquanto já não há ninguém à volta dele que tenha qualquer fé. Por isso os nossos livros e documentários jamais falam de muçulmanos versus cristãos, mas de muçulmanos versus “O Ocidente”.
E, claro, há o tabu, o tema de que não se pode falar – o relacionamento entre Israel e os EUA, e o apoio incondicional dos EUA ao roubo de terras, porque Israel rouba terras dos árabes muçulmanos todos os dias –, também está no âmago da crise terrível que assola nossas vidas.
Na edição de The Independent da 6ª-feira, viam-se fotos de uma demonstração no Afeganistão em que os manifestantes gritavam “morte aos EUA”. Mas ao fundo, os mesmos manifestantes carregavam um estandarte negro escrito em dari, com tinta branca. Lá se lia – e nenhum jornal ocidental traduziu – “O regime sionista sanguinário e os líderes ocidentais indiferentes ao sofrimento dos palestinos mais uma vez celebram o ano novo com mais sangue palestino derramado”.
É mensagem de violência terrível – mas prova, mais uma vez, que a guerra em que estamos afundados é disputa também da questão Israel-palestinos. Talvez o “Ocidente” prefira acreditar que os muçulmanos “nos odeiam pelo que somos” ou que odeiem “nossa democracia” (é o que sempre mentiram Bush, Blair e uma horda de políticos mentirosos) – mas o conflito entre Israel e palestinos está no centro da “guerra ao terror”. Porque está. E, porque está, o igualmente vicioso Benjamin Netanyahu, ao reagir às atrocidades do 11/9, disse que ‘o evento’ seria bom para Israel. Israel poderia passar a dizer que, contra os palestinos, lá também se lutava “a guerra ao terror”, e que Arafat – e foi o que disse o hoje semimorto Ariel Sharon – seria “nosso Bin Laden”. Assim, os israelenses puderam atrever-se a dizer que Sderot, sob chuva de mísseis de lata do Hamás, seria “o marco zero israelense”.
Nada disso é verdade. A batalha de Israel contra os palestinos é caricatura fantasmagórica da “guerra do terror” do “Ocidente”, mediante a qual o Ocidente dá apoio ao último projeto colonial do planeta – e aceita os milhões de mortos –, porque as torres gêmeas, o Pentágono e o avião da United voo 93 foram atacados por 19 assassinos árabes há nove anos.
Há uma horrenda ironia no fato de que um dos resultados diretos do 11/9 tenha sido a legião de policiais e agentes e ‘especialistas’ que voaram imediatamente para Israel para aprimorar sua “expertise antiterroristas” com a ajuda de oficiais israelenses que muito provavelmente – nos termos divulgados pela ONU – são criminosos de guerra. Não surpreende que os heróis que fuzilaram o infeliz Jean Charles de Menezes, brasileiro, no metrô de Londres em 2005 estivessem recebendo assessoramento “antiterroristas” dos israelenses.
Ah, sim, já sei o que vão dizer. Que não podemos comparar a ação de terroristas do mal e a coragem de jovens policiais ingleses, homens e mulheres, que defendem vidas inglesas – e sacrificam as próprias vidas – nos fronts da “guerra ao terror”. Não há comparação. Não são “iguais”. “Eles” matam inocentes, porque “eles” são o mal. “Nós” matamos inocentes… por engano. Mas nós sabemos que vamos matar inocentes – aceitamos a evidência de que mataremos inocentes, que nossos atos criarão valas comuns nas quais se enterrarão famílias inteiras dos mais pobres, dos mais fracos, dos mais desamparados.
Por isso inventamos o conceito obsceno de “dano colateral”. Porque se “colateral” significar que aqueles mortos são inocentes, então “colateral” também significaria que os que os assassinam também seriam inocentes. Não queríamos assassiná-los – por mais que sempre soubéssemos que os assassinaríamos. “Colateral” é nossa licença para matar. Essa única palavra faz toda a diferença entre “nós” e “eles”, entre o nosso direito divino de matar e o direito divino de Bin Laden matar. As vítimas, ocultadas como cadáveres “colaterais”, já nem se contam, porque são provas do nosso crime. Talvez lhes tenha doído menos. Talvez morrer por tiro de avião-robô seja morte mais doce, partida mais suave desse vale de lágrimas. Ou, quem sabe, ser cortado ao meio e eviscerado por um míssil AGM-114C Boeing-Lockheed ar-terra doa menos do que voar pelos ares aos pedaços por efeito de uma bomba no acostamento ou de algum cruel homem-bomba que se suicide na rua.
Por isso é que sabemos quantos morreram no 11/9 – 2.966, e o número talvez seja maior – mas nem contamos os mortos que nós matamos. Porque eles – “nossas” vítimas – nem são identificáveis, nem são inocentes, nem são humanos, não têm causas, nem crenças, nem sentimentos; e porque já matamos muito, muito, muito mais gente que Bin Laden e os Talibã e a al-Qaeda.
Aniversários são eventos para jornais e televisões. E parecem ter o mau hábito de se unirem sempre em cenários trágicos. Assim os ingleses comemoram a “Batalha da Bretanha” – episódio cavalheiresco da história dos britânicos – e a “Blitz”, bisavó dos assassinatos em massa, mas símbolo de uma espécie ingênua de coragem –, como lembramos o início de uma guerra que rachou pelo meio a moralidade pública, converteu políticos britânicos em criminosos de guerra, nossos soldados em assassinos e nossos inimigos em heróis da causa contra o Ocidente.
E, ao mesmo tempo em que, nesse tormentoso aniversário, o Rev. Jones prega que se queime um livro intitulado “Corão”, Tony Blair está em campo para vender um livro intitulado “Uma jornada”. Jones disse que o Corão seria “o mal”. Muitos britânicos perguntam-se se o livro de Blair não deveria chamar-se “O Crime”. Não há dúvida de que o 11/9 já virou delírio, se o Rev. Jones consegue atrair a atenção dos Obamas dos Clintons, do Santo Padre e até da ainda mais santa ONU. Aqueles que os deuses querem destruir, os deuses primeiro enlouquecem…
[1] No orig. “God this, God that, and God the other thing. ‘Good God,’ said God, ‘I’ve got my work cut out’. São versos conhecidos na Inglaterra como “a quadrinha da [primeira] Grande Guerra”, de autor desconhecidos, mas atribuídos a J.C. Squire, depois Sir John Squire.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Copa do Mundo

Quando o mais emocionante da Copa é acompanhar a briga entre o técnico Dunga e a Rede Globo é sinal de que a Copa, em termos de futebol, ainda está deixando muito a desejar.

Toda exuberância da África; a beleza da festa de abertura e a organização do evento - apesar da aparente torcida contrária feita pela grande mídia - não escondem a pouca inspiração nas partidas que pude assistir. O Brasil - que para desepero de qqer técnico, tem jogadores suficientes para montar, no mínimo, mais duas seleções competitivas - não desencantou. A vitória de domingo não me pareceu tão convincente assim. A vitimização do galã-playboy Kaká e a "grosseria" de Dunga com o "jornalismo" da Rede Globo foram os fatos princpais do domingo. Vale à pena ficar de olho nessa pendenga e, por mais que não seja um otrcedor fervoroso da seleção, nesta aí, estou com o Dunga sim!

Apesar disso, quero deixar aqui uma indicação de leitura sobre o Drogba. O atacante que marcou o gol da Costa do Marfim.

Confiram no Dilúvio, Quem é Diddier Drogba?


Boa leitura!
E na sexta-feira, vamos prestigiar o "Craque Neto" - ou algum outro canal - e boicotar os canais da GLOBO.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Fanatismo e Fundamentalismo

Tariq Ali
"Acho que devemos começar a falar sobre uma palavra muito usada nos últimos anos: fundamentalismo. Uma palavra que começa com "F"; e vou agora ligá-la a outra palavra, que é também usada ou que tem sido usada através dos séculos, que é a palavra fanatismo. A palavra fanatismo tem a sua origem nas antigas Grécia e Roma e deriva da palavra fano. Fano se refere a templo ou santuário. Dessa forma, a palavra fanatismo tem, automaticamente, um significado religioso, que se refere a alguém que é um extremista religioso. Esta palavra - fanático - tem sido constantemente denunciada e atacada pelos pensadores do Iluminismo, contrários ao fanatismo e ao racionalismo. Atualmente, essas duas palavras... - e houve um enorme debate nesse sentido, porque alguns se opuseram, da mesma forma como o fez Rousseau contra a maioria dos Iluministas - sem algum grau de fanatismo, não se podem promover mudanças. E, caso você venha a ser como os filósofos Iluministas, afirmou Rousseau, relaxe e aproveite a vida, mas não alcançará nada com isso. Então, como ele afirmou em "Confissões", o fanatismo tem certos valores. Com isso, ele estava querendo dizer que, quando uma pessoa se dirige a uma ação, não tem que ser cem por cento razoável já que, se as pessoas forem total e completamente racionais, não conseguirão fazer absolutamente nada. Este é, portanto, um debate interessante, o qual ocorre desde aqueles tempos. Mas, inicialmente, a palavra fanatismo foi totalmente ligada ao fanatismo religioso. Da seguinte maneira: uma pessoa que, em defesa de seu santuário, de seu templo, igreja, sinagoga ou mesquita, está preparada para fazer o que for necessário para defender o que acha que precisa ser defendido.

Mais tarde, apareceu a palavra fundamentalismo. Esta palavra surgiu, essencialmente, do Cristianismo. Não existe, no idioma árabe, uma palavra para fundamentalismo. Trata-se de uma palavra que apareceu durante as guerras da Reforma, que apareceu mais fortemente durante a ruptura protestante do Catolicismo, e os protestantes costumavam descrever-se a si mesmos como fundamentalistas. As origens dos Estados Unidos da América, um país criado pelos protestantes fundamentalistas - pessoas que fugiram da Grã-Bretanha para tomar o país de outros - enfim, as origens daquele país foram fundadas nesse fundamentalismo. Faz parte da memória histórica dos fundadores e, apesar da constituição dos Estados Unidos ser totalmente secular - porque Jefferson e outros foram guiados pelo Iluminismo -permaneceu um forte rastro do fundamentalismo protestante na cultura americana.

Iniciei com tais colocações para reverter aquilo que é normalmente discutido quando se fala sobre fundamentalismo. De todos os países do Ocidente, os Estados Unidos são o país mais religioso. Basta dar uma olhada nas leis e nas estatísticas que surgem nos Estados Unidos: os números são bastante interessantes. Especialmente em contraste com a Europa ou mesmo com outros países do Hemisfério Sul. Ao se interrogar a população americana, descobre-se que noventa por cento acredita em Deus e setenta por cento acredita em anjos. Sob o meu ponto de vista, seria mais progressivo se noventa por cento acreditasse em anjos e setenta por cento acreditasse em Deus, porque, para esses, os anjos têm um lado surrealista. Podemos imaginar que acreditar em anjos é algo criativo, mas acreditar em Deus presume uma característica sólida, com a qual é difícil romper. Assim que, hoje, depois de um longo período de tempo, há uma administração nos Estados Unidos na qual o presidente é um fundamentalista. Dessa maneira ele se confessa: como um cristão renascido. Que ele renasceu, nós já sabemos e, que ele renasceu como cristão, ele já nos contou. O Ministro da Justiça americano, o general John Ashcroft, é um fundamentalista cristão e inicia seu trabalho, pela manhã, no Departamento de Justiça, segurando as mãos dos colegas e forçando-os a cantar hinos. Alguns dos quais eles escreveram e são maus. Temos, também, o General Boikin, que foi recentemente nomeado como Secretário de Defesa do Departamento de Inteligência. A palavra Inteligência está erroneamente colocada, porque esse general acaba de informar às pessoas que a única verdadeira religião é a sua visão de Cristianismo, que o seu Deus é superior ao Deus do Islamismo, a Alá, e que o seu Deus cristão sempre triunfará sobre Alá; ele continuou, então, a mostrar quão inteligente ele foi ao denunciar o Islamismo como sendo uma religião de idólatras. Qualquer um que tenha estado na escola e que estudou religião comparativa, sabe que há uma característica inerente ao Islamismo que é a de ser totalmente hostil a ídolos, a ponto de Mohamed ter deixado instruções que dizem que nunca deverão existir imagens dele; de que há apenas um Deus e nada mais. Não deve haver nenhuma imagem de pessoas que viveram na Terra. Até hoje, não temos permissão para mostrar imagens de Mohamed e, se forem mostradas, os seguidores se irritarão. Portanto, aí está esse general americano que veste o seu uniforme e vai pregar na igreja todos os domingos para dizer isso - é impressionante. É impressionante por se tratar do país mais poderoso do mundo, o único império mundial, sob o controle de pessoas assim. Esse é o fundamentalismo, o qual eu descrevi como sendo a mãe de todos os fundamentalismos; essa combinação de poder militar e econômico - esse credo particular. Houve um evento muito estranho depois da tragédia de 11 de Setembro. Duas semanas depois, houve um grande encontro num estádio de Nova York e lá estava o Presidente, o grande pensador, próximo ao Reverendo Billy Graham, outro grande pensador e pregador evangélico. E o Reverendo Billy Graham fez um discurso para as pessoas que ali estavam para lamentar a perda das pessoas que foram vítimas do atentado de 11 de Setembro, o qual todo o mundo lamentou. O Reverendo Billy Graham, durante o seu discurso, disse: "Senhor Presidente, eu recebi e-mails e telefonemas de todo o país. Centenas e milhares deles fazendo a seguinte pergunta: como Deus deixou que isso nos acontecesse?" E todos esperaram pela resposta de Billy Graham - afinal de contas, ele é o mais antigo pregador cristão. O que ele iria responder? Todos o olharam, até mesmo o grande-presidente-pensador. E ele respondeu: "Eu tive que responder que não sei".


Portanto, acho que devemos colocar o fundamentalismo em perspectiva. Foi por isso que comecei a falar sobre os Estados Unidos da América: devemos colocar esse fundamentalismo em perspectiva. E o fanatismo também deve ser colocado em perspectiva."


Leia o texto de Tariq Ali, na íntegra no site CONTROVÉRSIA.

domingo, 30 de maio de 2010

Just Vision

A mídia, por só dar vazão aos atos de violência recíproca, tem MUITA responsabilidade pela permanência e continuidade dos conflitos entre judeus e palestinos.

Os atos violentos, praticados por fundamentalistas de ambos os lados, são amplamente divulgados e, por isso, acabam sendo a principal, quando não a única, forma de alcançar expressão.

"Se uma inciativa reunindo pacificamente judeus e árabes também tivesse repercussão mundial, cada vez menos atentados seriam vistos" - afirma Julia Basha. Brasileira, 29 anos. Foi aos EUA para aprofundar seus estudos em História do Oriente Médio e planejava prosseguir sesu estudos no Irã. Na espera do visto para lá, acabou aceitando um convite para trabalhar numa produção egípcia que resultou, lá por 2004, no documentário "Control Room", sobre a rede de notícial Al Jazeera e a cobertura da Guerra do Iraque realizada por canais "do outro lado".

Após este trabalho, Julia foi convidada para compor a Just Vision e consolidou-se como premiada documentarista da questão da Palestina.

Conheça mais sobre a organização no site JUST VISION

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Bateu o pavor!

Juremir sempre tem suas análises cheias de ironia e humor...
Bateu o Pavor!

Juremir Machado da Silva, colunista do jornal Correio do Povo.

É importante ser claro, falar a linguagem das ruas e dar nome aos bois. A verdade é uma só: está batendo o pavor na direita brasileira. Dá para ouvir os dentes rangendo. Por um lado, Luiz Inácio brilha mais do que nunca no cenário internacional. O doutor FHC nunca teve tamanho prestígio no exterior. Independentemente do resultado do papo com Ahmadinejad no Irã, o mundo inteiro ficou esperando que o iletrado brasileiro resolvesse a parada. Os norte-americanos, mais caras de pau do que nunca, andam furiosos com o Brasil. Descobriram até os direitos humanos. Cobram de Luiz Inácio o fato de ele ficar negociando com um país que dá chibatadas nos seus opositores. É o roto falando do descosido. Os Estados Unidos são especialistas em amizades com ditadores. A China, por exemplo, nada deve ao Irã em repressão.

O ranger de dentes tem razões de todo tipo. A inveja em relação a Luiz Inácio não para de crescer. Todas as previsões dos conservadores foram por água abaixo. O Brasil vai bem, superou a crise como se ela não passasse mesmo de uma marolinha, a popularidade do presidente é estratosférica, a vida da população mais pobre melhorou bastante e, na política internacional, nunca mostramos tanta autonomia. Passamos de coadjuvante a protagonista. Para completar o quadro de pavor da direita, que não sabe mais o que fazer ou dizer, a última pesquisa do Vox Populi mostra Dilma na frente de José Serra, 38% a 35%. E agora? Dilma, a guerrilheira, a sem carisma, a criatura, começou a decolar e já parece muito palatável para eleitores que antes a viam com alguma desconfiança.

Se os dentes continuarem a bater assim, dá para ouvir o barulho enquanto escrevo, os dentistas é que vão faturar. Muita gente vai precisar de dentadura ou de aparelho. Passei, outro dia, por um luminar da direita e ele parecia desesperado. Estava branco, verde, azulado. Nem me aproximei. O homem falava sozinho, resmungava, vociferava e espumava de raiva. Dava para entender o nome Dilma no seu discurso enrolado. Tem gente que não dorme mais. Alguns buscam soluções mágicas. Outros, tentando permanecer racionais, buscam culpados. Não encontram. Perguntas es-drúxulas se repetem: por que Luiz Inácio não fez como Evo Morales e Hugo Chávez? Aí está: Luiz Inácio não traiu só a esquerda, traiu a direita também. Frustrou-a terrivelmente ao não se comportar como um ditador ou como um "perfeito idiota latino-americano".

O que dói mais na direita é ver Luiz Inácio trocando abraços, afagos, sorrisos e ideais com os grandes deste mundo. Dói mais ainda ver Luiz Inácio, com seu traquejo social sem berço nem formação, colocando todos à vontade, fazendo até um russo gelado se derreter e fazer piadinha. Basta Luiz Inácio chegar para o clima ficar mais amistoso. Com essa manha, com essa malemolência, com esse jogo de cintura, Luiz Inácio está prontinho para virar secretário-geral da ONU. Espero que isso não ocorra por uma razão humanitária: FHC não suportaria. Não quero o mal de homem que prestou bons serviços ao Brasil. Luiz Inácio que fique, no máximo, com a OEA. Que loucura!

sábado, 1 de maio de 2010

1º de Maio e algo mais

Quando comecei a escrever neste espaço, um dos temas mais candentes era a posse de Obama, lá em janeiro de 2009. Lembro que dediquei algumas postagens a este fato, repercutindo inclusive seu discurso de posse. Confesso que não era dos mais céticos e chegava a nutrir algumas esperanças de que fosse possível um novo patamar de relações internacionais! Claro que isso era pura ingenuidade da minha parte!

Nos últimos dias, as principais cidades norte-americanas foram arrebatadas por grandes manifestações em protesto às políticas de Barak.
As manifestações foram também uma oportunidade para mostrar que a população não está satisfeita com a atuação de Barack Obama, já que boa parte de suas promessas continua no papel. Em artigo para a Radio del Sur, Victor Toro esclarece a necessidade das mobilizações populares nos Estados Unidos. "A recessão não parou, o desemprego ultrapassa os 20%, em alguns povos e cidades se manifesta mortalmente em até 30%, a isso agreguemos o desemprego crônico, os desamparados, a população encarcerada, os dependentes químicos e doentes crônicos, há que os somar por milhões". Ver ADITAL

No mundo todo, protestos revelaram as repercussões da crise capitalista dos últimos tempos. na Europa a taxa de desemprego média chega a 10%, com alguns países um pouco acima desse número.

Enquanto isso, no Brasil, onde temos uma cultura de conciliação, a maioria das atividades foi festiva.
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Mas coincidiu com o 1º de Maio a leitura do livro de Mário Sérgio Cortella; "Qual é a tua obra?".
Título instigante e leitura idem!
Cortella - que trabalhou diretamente com Paulo Freire e isso, por si só, já é um grande currículo - desenvolve um texto saboroso, de leitura tão fácil quanto profunda. Daqueles textos que te leva conversando com o autor.
Pensando sobre a questão do trabalho, ele traz várias reflexões, mas em especial no segundo capítulo (vou confessar, comecei a ler hoje e ainda tô na metade!), Cortella compara o sentido e a origem etimológica da palavra "trabalho" (do latim "tripalium", denota algo torturante e doloroso) e nos mostra, de forma simples, como esta visão persiste até hoje.

E então nos convida a revisar este conceito e pensar o trabalho como o termo grego "poiesis", que quer dizer "minha obra", "aquilo que faço".
É verdade que os gregos não viam assim todos os tipos de trabalho, e o próprio Platão considerava  que somente "homens ociosos [corresponderiam] moralmente ao ideal de ser humano e [mereceriam] ser cidadãos por inteiro".
Esta comparação entre "tripalium" e "poiesis", me fez lembrar da reflexão marxiana sobre o trabalho alienado e a emancipação da classe trabalhadora, também lembrado pelo autor (tema propício para este dia!).

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Mas preciso confessar que o trecho que me deixou mais inquieto até agora foi quando o autor fala sobre o desejo e a busca de espiritualidade.  Este trecho me tocou de forma direta:


"O desejo por espiritualidade é um sinal de descontentamento muito grande com o rumo que muitas situações estão tomando e, por isso, é uma grande queixa. E a espiritualidade vem à tona quando você precisa refletir sobre si mesmo; aliás a espiritualidade é precedida pela angústia. De maneira geral, a angústia é um sentimento sem objeto. Quando você fica triste, é por alguma coisa. Quando você está alegre, é por algum motivo. A angústia se sente e não identifica o objeto. Você se levanta e 'não sei o que está acontecendo, estou com uma coisa, um aperto aqui no peito'. É uma sensação de vazio interior.


Martin Heidegger, grande filósofo alemão do século XX, dizia que a angústia e a sensação do nada. E ela é positiva num ponto, pois o nada é a possibilidade plena. Quando se pode sentir o 'nada', todas as opções se apresentam e todos os horizontes são possíveis. (...) a espiritualidade é um desejo forte de a vida ter sentido, de ela não se esgotar nem naquele momento, nem naquele trabalho."
E por aí vai...

Mas como sempre vivi minha espiritualidade de maneira um pouco conflituosa, acabei lembrando de outra leitura que tem me inquietado. Um livrinho de Pedro Demo, chamado "AUTO-AJUDA: Uma Sociologia da Ingenuidade como Condição Humana".
"No fundo a espiritualidade é importantíssima porque oferece um dos horizontes fundamentais da vida, que é sentido. Como a proposat de sentido nunca está necessariamente isenta de ilusões, a espiritualidade não deixa de ser dúbia: quando se acomoda em religião específica, tornando-se fundamentalista, pode tornar a pessoa aind amais feliz, por conta de certezas que embalam um mundo tão incerto, ma sisso é pago com alienações preocupantes ou mesmo insuportáveis para espíritos mais críticos."
 E por aí vou...
(continua)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nas vésperas do feriadão...

Aqui, na terra do sol fronteiriço, o calor é africano, o frio siberiano...poucos meios-termos - pelo menos no clima. Não sei se quando o sol passa pro lado de lá do Rio Uruguai continua escaldante, pelo menos aqui pelo paralelo 30 deve ser...

Pelos idos de quase novembro, o feriado prolongado vem bem a calhar. Tempo com a família, com alguma leitura, com algum sono atrasado, com algo gelado na goela, uma caminhada após o anoitecer..e logo, logo volta a semana cheia de afazeres e relógios carrascos nos perseguindo.

É a vida correndo sabe-se lá para onde!Pensando na vida, nas antecésperas do Dia dos Finados
Agora, aqui, ouvindo VooDoo Glow Skulls, no álbum "Baile do los locos", como de costume cheios de artes e motivos das festividades e mitologias funerárias mexicanas. Povo que vive uma relação diferente da nossa, pelo menos do ponto de vista estético. É uma festa originalmente indígena, violentada pela presença européia que, sincretismos à parte, transformou-se em patrimônio cultural da humanidade.

Lembro ainda dos tempos de faculdade, da leitura de Otávio Paz e seu "labirinto da Solidão", livro no qual o autor desnuda a alma do povo mexicano, tão vulnerável, mimetiza outras personalidade com as máscaras no Dia dos Mortos e em outros eventos - lembrei da gente no Brasil em Carnaval, 20 de setembro e Copa do Mundo...

Mesmo com todas as dificuldades que geralmente temos para falar da morte, e apesar das diferentes experiência de/com a morte, prefiro a perspectiva mexicana - e não deles - que aponta para a morte como parte de um ciclo: o difícil é saber se estamos prontos para fase seguinte...até onde eu sei, não há "reset" como no Counter Strike (que eu nunca joguei! [ainda!])

Deixo aqui texto para refletir sobre o feriadão:

A MORTE

Bagwan Sri Rajneesh

Discurso proferido no Buddha Hall no Koregaon Park, Pune, Índia

Vida está no viver. Não é uma coisa, é um processo. Não há modo de nos relacionarmos com a Vida a não ser vivendo-a, a não ser estando vivos, a não ser fluindo com ela.

Se se procurar o significado da Vida nalgum dogma, nalguma teologia, numa filosofia, esse é o caminho certo para perder ambos, a Vida e o seu significado. A Vida não está algures à sua espera. Está a acontecer em si, não está no futuro como um bem a ser atingido. Está aqui e agora, neste preciso momento, na sua respiração, circulando no seu sangue, no seu coração.

Seja o que for que você é, é a sua vida. E se começar a procurar significados nalgum outro lugar, não vai encontrá-la. E o Homem fez isso durante séculos. Os conceitos tornaram-se muito importantes, as explicações tornaram-se muito importantes e o real é completamente esquecido. Nós não olhamos para o que sempre esteve aqui, antes queremos racionalizações.

Ninguém vos pode dar o significado da vossa vida. É a vossa vida. O significado tem, também, que ser vosso. Ninguém vo-lo pode dar. Os Himalaias não irão ajudar. Só você o pode descortinar, só a si ele é acessível.

A primeira coisa que gostaria de vos dizer é: não o procurem em qualquer outro lado. Não o procurem em mim, nas escrituras, em explicações. Elas não explicam nada. Elas simplesmente sobrecarregam a vossa mente, não os tornam conscientes daquilo que realmente existe. Quanto mais a mente estiver sobrecarregada com conhecimento morto, mais atordoados e estúpidos vocês se tornam. O conhecimento torna as pessoas estúpidas, turva a sua sensibilidade, torna-se para elas um peso e desenvolve-lhes o ego, em vez de as esclarecer e de lhes mostrar o caminho. Nem isso seria possível. A Vida já está borbulhando dentro de vocês e só lá pode ser encontrada, não fora de vocês; vocês são o altar da Vida.

Assim, a primeira coisa a reter, se quiserem saber o que é a Vida, é nunca a procurarem fora, nunca procurarem descobri-la a partir de outra pessoa, porque não pode ser transferida desse modo. Os maiores mestres nunca disseram nada sobre a Vida, eles sempre a enviaram de volta a vós mesmos. A segunda coisa a reter é que se vocês souberem o que a vida é, saberão o que a morte é. Porque a morte é também parte do mesmo processo.

Habitualmente pensamos que a Morte vem no fim, pensamos que a Morte é contra a Vida, pensamos que ela é o inimigo. Mas a Morte não é o inimigo. E se você pensa que a Morte é o inimigo, isso só mostra que não foi capaz de saber o que a Vida é. Morte e Vida são duas polaridades da mesma energia, do mesmo fenômeno. A maré alta e a maré baixa, o dia e a noite, o verão e o inverno, não são opostos, mas sim complementares. A Morte não é o oposto da Vida, na verdade é a culminância da Vida, o zênite de uma vida, o clímax, o final. E quando você conhecer a sua vida e o seu processo, conhecerá o que a morte é; a Morte é uma parte integral e orgânica da Vida, e é muito amigável e cooperante com ela. Na verdade, a Vida não pode existir só por si. Ela existe por causa da Morte. Esta é o seu pano de fundo. De fato, a Morte é um processo de renovação. A Morte surge a cada momento, tal como acontece com a Vida. A renovação é necessária a todos os momentos. Quando você inspira, vai precisar expirar. Ambos os movimentos são necessários. Ao inspirar a Vida acontece, ao expirar a Morte acontece. É por isso que quando uma criança nasce, a primeira coisa que vai fazer é inspirar; então, a vida começa. Quando uma pessoa está moribunda, no seu último momento ela expira, e a Vida se solta. Expirar é Morte, inspirar é Vida. Ambas são como as rodas de um carro de bois. Você vive pela inspiração tanto quanto pela expiração. A expiração é parte da inspiração. Você não pode viver se parar de expirar. Você não pode viver se parar de morrer. Quem compreendeu o que a Vida é, permite que a Morte tenha lugar, recebe-a satisfeito. Uma pessoa morre a cada momento e a cada momento ressuscita. A sua cruz e a sua ressurreição estão acontecendo constantemente, como um processo. Se você discernir o que a Vida é, será capaz de discernir o que a Morte é. Se compreender o que a Morte é, então e só então, será capaz de compreender o que a Vida é. São orgânicas.

Comumente, devido a medos, concebemos uma divisão; pensamos que a Vida é o Bem e que a Morte é o Mal, que a Vida é para ser desejada e a Morte para ser evitada. E que, de alguma forma, temos de nos proteger da Morte. Ideia absurda. Porque aquele que se protege da Morte, torna-se incapaz de viver. É como alguém temeroso de exalar e que, por isso, fica incapaz de inalar. E então bloqueia. E assim, simplesmente se atém com avidez, a sua vida não é mais um fluir, um rio. Se você quer realmente viver, tem de estar pronto para morrer. Quem tem medo da Morte em você? A Vida tem medo da Morte? Não é possível que a Vida tenha medo do seu próprio processo integral! Então é outra coisa que, em você, tem medo. É o ego que tem medo dentro de si. Vida e Morte não são opostas. Ego e Morte são opostos. Vida e Morte não são opostas. Ego e Vida são opostos. O ego é contra ambas, a Vida e a Morte. O ego tem medo de viver. Tem medo de viver porque cada esforço, cada passo, em direção à Vida, torna a Morte mais próxima. À medida que você vive, vai-se tornando mais próximo de morrer. O ego teme viver e teme morrer. O que o ego faz é, simplesmente, apegar-se avidamente. Há muitas pessoas que não estão nem vivas nem mortas. Isso é o pior de tudo. Uma pessoa que está cheia de Vida está cheia de Morte também. É esse o significado de Jesus na cruz, o qual não foi bem compreendido. Jesus carrega a sua própria cruz e diz aos discípulos: vocês terão, também, de carregar a vossa própria cruz. O significado de Jesus carregar a sua cruz não é senão este muito simples: toda a gente tem de carregar a sua morte continuamente e toda a gente tem de morrer em todos os momentos. Toda a gente tem de viver na cruz porque essa é a única forma de viver plenamente. Quando se depararem com um momento de perfeita plenitude de Vida, então, subitamente, verão isso também. E aperceberão Vida e Morte como uma ação conjunta. E, ao contrário, se estiverem minimamente despertos, então verão Vida e Morte separadas. Quanto mais perto estiverem do Alto mais elas se aproximam, até que, no limite, se tornam uma única realidade. No amor, na meditação, na confiança, onde a vida se torna plena, isso acontece. Sem isso, a vida não pode ser plena.

Porém, o ego pensa sempre em divisões, em dualidades, ele, na verdade, tudo divide. Contudo, a distância é indivisível, não pode ser dividida. Vocês foram crianças, depois tornaram-se jovens. Podem marcar a linha, no tempo, em que passaram a ser jovens, em que deixaram de ser crianças? Um dia tornar-se-ão velhos. Poderão traçar a linha a partir da qual passarão a ser velhos? Os processos não podem ser divididos. Acontece exatamente o mesmo no nascimento. Poderá demarcar-se quando a vida realmente começa? Começa quando a criança principia a respirar? Quando a criança surgiu no útero, a mãe engravidou, a criança foi concebida, começa aí a vida? Ou mesmo antes disso, quando é que a vida realmente começa? É um processo infindável e sem início! Nunca começa. Quando uma pessoa morre, quando a respiração pára, estará então a pessoa morta? Muitos iogues provaram, numa base científica, que são capazes de interromper a respiração e continuar vivos. Então, a paragem da respiração não pode ser o fim. Onde acaba a vida? Não acaba nunca. E não começa nunca, em lado nenhum. Estamos envolvidos em eternidade, estivemos aqui desde o início, caso tivesse havido algum início, e iremos estar aqui até ao fim de tudo, caso viesse a haver algum fim de tudo. Na verdade, não pode haver qualquer início nem qualquer fim. Nós somos Vida!

As formas mudam, os corpos mudam, as mentes mudam. Aquilo a que chamamos vida é somente a identificação com um determinado corpo, com uma determinada mente, com uma determinada atitude. E aquilo a que chamamos morte não é senão sairmos dessa forma, sairmos dessa mente, sairmos desse conceito. Vocês mudam de casa. Se se identificarem em demasia com uma casa, então mudar de casa será muito penoso, pensarão que, de certa forma, estarão morrendo; porque o conjunto da casa era o que vocês eram, era a vossa identidade; porém, isso não acontece porque sabem que estão só a mudar de casa e que permanecem os mesmos. Aqueles que olharam para dentro de si, os que encontraram quem realmente são, aprendem sobre um eterno e infindável processo. A Vida é um processo sem tempo, para além do tempo. A Morte é parte dele. A Morte é uma contínua renovação, uma ajuda à Vida para ressuscitar outra e outra vez. Uma ajuda à Vida para se livrar de velhas formas, de edifícios dilapidados, de velhas estruturas confinantes para que de novo vocês se possam sentir novos, frescos, e outra vez se possam tornar virgens.

Tudo retorna à sua fonte original. Tem de ser assim. Se você compreende a Vida, compreende igualmente a Morte. A Vida é um esquecimento da fonte original e a Morte é a sua lembrança novamente. A Vida vai-se afastando da fonte original, a Morte é o regresso a casa. A Morte não é feia, a Morte é linda. Mas é linda só para aqueles que viveram a sua vida de forma livre, desinibidamente, sem repressões, que a viveram de forma linda, sem medo de viver, para os que tiveram a coragem de viver, que amaram, que dançaram, que celebraram a Vida. A Morte torna-se na maior celebração quando a vida foi uma celebração. Deixem-me pôr o assunto da seguinte forma:

― Seja a vossa vida qual seja, a morte apenas traduz isso. Se foram indignos em vida, a morte vai revelar indignidade. A Morte é uma imensa reveladora. Se foram felizes em vida, a morte revela felicidade. Se viveram uma vida unicamente voltada para conforto físico, prazer físico, então, é claro, a morte irá ser muito desconfortável e desagradável. Porque o corpo tem de ser deixado, ele é unicamente uma residência temporária, um altar no qual nós ficamos durante a noite e temos de deixar pela manhã. Não é a vossa residência permanente, não é o vosso lar.

Assim, se viveram uma vida unicamente orientada fisicamente e nunca conheceram nada para além do corpo, a morte irá ser muito, muito …feia, desagradável, dolorosa, a morte será uma angústia. Mas se viveram um pouco mais alto que o corpo, se amaram a música e a poesia, se olharam e amaram as flores, e se algo do não-físico passou a fazer parte da vossa consciência, a morte não será tão má, não será tão dolorosa, e você poderá encará-la com equanimidade, embora não possa, ainda, ser uma celebração. Contudo, se você viveu algo do transcendente dentro de si, se penetrou a sua própria ausência no centro do seu ser, não mais um corpo, não mais uma mente, onde os prazeres físicos estão completamente deixados para trás e os prazeres mentais também, prazeres de música, de poesia, de pintura e literatura, se de tudo se desapegou completamente e você é simplesmente, unicamente, pura consciência, a morte será uma grande celebração, um grande entendimento, uma grande revelação. Se aprendeu algo do transcendente em si, a morte revelar-lhe-á algo do transcendente do universo. Não será mais uma morte, mas um encontro com Deus.

Assim, você poderá encontrar três formas de expressar a Morte:

― Na história da mente humana, uma expressão é a do homem comum, que vive apegado ao corpo, nunca conheceu algo mais elevado que o prazer da comida e do sexo, em que a vida foi somente comida e sexo, muito primitiva e grosseira, e viveu pensando que isso é tudo o que a Vida é. Então, no momento da morte, ele procurará agarrar-se à vida, lutará contra a morte, a morte virá como o inimigo e será vista como algo negro e diabólico. Estas pessoas não entenderam todas as dimensões da Vida, não foram capazes de tocar a profundidade da Vida, de voar para as alturas da Vida, passaram ao lado da plenitude, da bênção, da graça divina.

― Depois, há um segundo tipo de expressão da Morte. Poetas e filósofos, disseram algumas vezes que a Morte não é má, nada diabólica, que é somente um grande descanso, como um sono. Isto já é melhor que a primeira expressão. Pelo menos, estas pessoas aprenderam algo para além do corpo, aprenderam algo da mente. A sua vida não foi gasta somente a comer e a reproduzir-se. Com uma pequena sofisticação da alma, eles são um pouco mais nobres, mais refinados culturalmente; porém, eles dirão que a morte é como um grande repouso, que, estando cansados, vamos descansar. Eles, também, estão longe da verdade.

― Finalmente, os que conheceram a Vida no seu mais profundo âmago, dizem que a Morte é Deus. Não só um repouso, mas uma ressurreição, uma nova vida, um novo recomeço, uma nova porta que se abre.

Assim, a primeira questão, a questão mais fundamental é: Como viver? Deixem-me dizer-vos algumas coisas antes: A vossa vida é a vossa vida, não é de mais ninguém. Por isso, não vos permitam ser dominados por outros. Não vos permitam ser comandados por outros. Isso é uma traição à Vida. Se permitirem ser comandados por outros, vossos pais, a sociedade, o sistema educacional, os políticos, os padres, seja quem for, se permitirem o domínio de outros, irão perder a vossa própria vida, porque a dominação vem de fora enquanto a Vida está dentro de vós mesmos. Elas nunca se encontram. Eu não vos estou a dizer que se tornem uns “cofres fechados” em relação a tudo e mais alguma coisa. Isso não seria de grande utilidade.

Há dois tipos de pessoas, um é o tipo de pessoa muito obediente, sempre pronta a se render a toda e qualquer pessoa; estes não têm uma alma independente no seu interior, são imaturos, infantis, procuram sempre a figura do pai, alguém para lhes dizer o que fazer e não fazer, incapazes de confiar no seu próprio ser. Estas pessoas são a esmagadora maioria no mundo, são as massas. Depois, contrariamente a estas, há uma pequena minoria de pessoas que rejeitam a sociedade, que rejeitam os valores da sociedade, e que pensam que são rebeldes, mas não são, são apenas reacionários. Porque em boa verdade, quer vocês sigam a sociedade quer a rejeitem, se esta permanecer, de algum modo, como o referencial determinante, então são, em ambas as situações, dominados pela sociedade.

Deixem-me contar-vos uma anedota:

― Uma vez, Mulin Sudin, que deixara a sua terra por algum tempo, regressou à vila usando uma longa barba. Os seus amigos, naturalmente, saudaram a sua barba e perguntaram-lhe porque razão a usava. Ele, porém, não se mostrou agradado com a barba e começou mesmo a praguejar contra ela. Os amigos, espantados com a forma como ele falava, perguntaram-lhe porque continuava a usar barba se não gostava dela. Eu odeio esta maldita coisa, respondeu ele. Se a odeias, porque não a cortas e te vês livre dela, perguntou um dos amigos. Um maléfico fulgor assomou aos seus olhos quando respondeu: porque a minha mulher também a odeia.

Mas isso não o torna livre. Os “hippies”, “punks”, etc., não são, realmente, pessoas rebeldes, são reacionárias. Só reagiram contra a sociedade. Uns são obedientes, eles são desobedientes; mas o centro de dominação é o mesmo. Alguns obedecem, alguns desobedecem, mas nenhum olha para o seu próprio âmago. A pessoa verdadeiramente rebelde é a que não é nem pela sociedade nem contra a sociedade, mas a que vive simplesmente de acordo com a sua compreensão. Seguir a favor ou contra a sociedade não constitui preocupação para ele. Vive de acordo com a sua compreensão, de acordo com a sua pequena luz. Isto não é dizer que ele se torna egoísta. Ele é modesto. Sabe que a sua luz é pequena, mas é toda a luz que existe. Sabe que pode estar enganado, é modesto e diz: posso estar enganado mas, por favor, permitam que me engane quando atuo de acordo comigo próprio.

Este é o único caminho para aprender, cometer erros é o único caminho para aprender. Movermo-nos de acordo com o nosso entendimento é o único caminho para crescermos e amadurecermos. Se você estiver sempre voltado para alguém que dá as orientações, quer obedeça, quer desobedeça, não faz qualquer diferença porque nunca será capaz de saber o que a sua vida é; ela é para ser vivida e você tem de seguir a sua própria pequena luz; nem sempre se está seguro sobre o que fazer e você poderá sentir-se muito confuso: aceite isso. Mas, também, não deixe de procurar um caminho para sair da sua confusão. É muito simples e fácil ouvir os outros porque eles nos podem fornecer, numa bandeja, dogmas, orientações (faz isto, não faças aquilo), e estão muito seguros acerca dos seus conselhos.

A certeza não deve ser procurada, mas sim a compreensão. Se procurarem a certeza serão vítimas de uma armadilha ou outra. A certeza pode ser-lhe dada de barato, qualquer pessoa vo-la pode dar, mas, em última análise, você será um perdedor. Perdeu a sua vida só para se sentir seguro e certo. A Vida não é certeza nem tão-pouco segurança. A Vida é insegurança. Cada momento é um movimento para mais e mais insegurança. É um jogo. Nunca sabemos o que vai acontecer. E é lindo que não o saibamos. Se a vida fosse previsível, não valeria a pena ser vivida. Se tudo fosse como você gostasse que fosse e tudo fosse seguro, você não seria Homem, seria máquina. O Homem vive na liberdade. E a liberdade precisa de insegurança e incerteza. O verdadeiro Homem de inteligência é sempre hesitante. Porque ele não tem qualquer dogma com que contar, para se encostar, ele tem de ver e responder. Que seja admirado aquele que diz: “estou hesitante e movo-me na vida vacilante porque não sei o que vai acontecer e não tenho qualquer posição de princípio para seguir. Tenho que decidir a cada momento, nunca tomo decisões antecipadamente, tenho que decidir quando o momento chega”.

Assim, ter de se ser muito empático e isso é o que a responsabilidade é. A responsabilidade não é uma obrigação, um dever, é uma capacidade para corresponder. Alguém que queira saber o que a vida é, tem de ter a capacidade de saber corresponder. Ora isso está hoje em falta. Séculos de condicionamentos tornaram-vos mais como máquinas. Vocês perderam a verticalidade. Vocês esmolaram a segurança; estão seguros e confortáveis, mas tudo foi planeado por outros que tudo definiram e estabeleceram; eles rebentaram tudo. E, assim, é tudo uma tontaria absoluta porque, na verdade, a Vida não pode ser destruída, é indestrutível. E nada pode ser rígido porque tudo está em constante fluxo. Tudo se transforma a cada instante. À exceção da mudança nada é permanente. Como diz Heráclito: “Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio”.

Os caminhos da Vida são muito em ziguezague. O modo da Vida não é como uma linha de comboio, não se desenvolve por linhas previamente traçadas; e é isso que constitui a sua beleza, a sua glória, a sua poesia, a sua música, i.e., o fato de conter uma permanente surpresa. Se você estiver à procura de segurança e de certezas, os seus olhos fechar-se-ão progressivamente, será cada vez menos surpreendido e, então, perderá a capacidade de se maravilhar. Uma vez perdida essa capacidade, você terá perdido a religião. A religião é o desabrochar do maravilhoso no seu coração. A religião é a receptividade para os mistérios que nos rodeiam.

Deste modo, a primeira regra é: não peçam a ninguém que vos diga como viver a vossa vida. A Vida é um bem tão precioso! Simplesmente viva-o. Não digo que não irão cometer erros, cometê-los-ão. Porém, não esqueçam uma coisa: não cometam o mesmo erro, vez após vez. Isso é suficiente. Se forem capazes de encontrar um novo erro todos os dias, cometam-no. Mas não repitam erros, isso é tolo. Uma pessoa capaz de encontrar novos erros está em contínuo crescimento. E esse é o único caminho para aprender. É o único caminho capaz de alcançar a vossa luz interna.

Procurar a Verdade nas Escrituras, em filosofias é como olhar para a lua cheia através do seu reflexo num pote de água. Se você perguntar a alguém como deverá viver a sua vida, estará, necessariamente, a pedir uma orientação enganadora porque essa pessoa só pode falar acerca da sua própria vida, e duas vidas nunca são iguais. Tudo o que essa pessoa lhe disser e transmitir será acerca da vida dela, e mesmo isso ela pode ter perguntado a outra pessoa. Ela pode ter seguido ou imitado uma terceira pessoa. Seria então o reflexo do reflexo. E os séculos passam e as pessoas vão refletindo a reflexão da reflexão enquanto a verdadeira lua e o céu sempre estiveram lá à vossa espera. É a vossa lua. É o vosso céu. Olhem diretamente. Sejam espontâneos quanto a isso. Vocês receberam lindos olhos para ver diretamente. Porque, então, pedir emprestado o entendimento? Lembrem-se, mesmo que isso se aplique ao meu caso: no momento em que tomam emprestado, torna-se conhecimento, não entendimento, sabedoria. A sabedoria emerge só do que é experienciado pela própria pessoa. Pode ser sabedoria para mim se eu tiver olhado a lua, mas no momento em que eu lhes transmito a minha experiência, torna-se conhecimento para vocês. Não mais é entendimento. Nessa altura é algo simplesmente verbal, linguístico. E a linguagem é uma mentira. Muitas pessoas vivem as suas vidas como professores de línguas. Esse é o mais falso modo de vida. A Realidade não precisa de linguagem. Está disponível a todos num nível não verbal. A lua está lá. Não precisa do pote nem do reflexo. Não precisa de qualquer intermediário. Você só precisa olhar para ela. É uma comunicação não verbal.

A Vida inteira está à vossa disposição, só precisam aprender a comunicar, não verbalmente, com ela. É disso que se trata na meditação: estar nesse espaço onde a linguagem não interfere, onde os conceitos eruditos não se intrometem entre você e o Real. Quando você ama uma mulher, não se preocupa com o que os outros disseram acerca do amor. Isso tornar-se-ia uma interferência. Você ama a mulher, o amor está lá. Esqueça tudo o que aprendeu acerca do amor. Esqueça todos os conselhos, esqueça todos os mestres. Por favor, não se torne um professor de linguística. Ame simplesmente a mulher, deixe o amor estar presente, deixe o amor liderá-lo e conduzi-lo aos seus mais íntimos segredos, aos seus mistérios. Então sereis capazes de saber o que é o Amor.

O que os outros dizem sobre meditação não tem qualquer interesse. Bastantes pessoas discursam sobre meditação, escrevem livros sobre meditação, dão aulas de meditação onde orientam muitos alunos sem, no entanto, a terem verdadeiramente provado alguma vez. Este é também o caso de milhões de pessoas que falam do Amor, que sabem todas os poemas acerca do Amor, mas que nunca amaram. E mesmo que pensassem que estavam enamorados, nunca o estiveram. É, para eles, uma questão da cabeça, não do coração.

As pessoas vivem e, contudo, perdem a Vida. É preciso coragem para se ser realista, é preciso coragem para nos deixarmos mover pelo fluxo da vida seja para onde for que ele nos leve. As partes do processo não estão esquematizadas, não há definições, há que avançar para o desconhecido. A Vida só pode ser compreendida se se estiver preparado para avançar para o desconhecido. Se você se apega ao conhecido, apega-se à mente, e mente não é Vida. A Vida não é mental, intelectual, porque a Vida é plena, total. E a vossa totalidade tem de estar envolvida nela, não se pode simplesmente pensar, discorrer acerca dela. Pensar acerca da Vida, não é Vida. Tenham cuidado com esses “discorreres”. Muitas pessoas pensam sobre a Vida, o Amor, Deus, isto e aquilo. E falam sobre isso. Falar sobre a Vida é o mesmo que pensar sobre a Vida. Nem mais. Não se torne um professor de linguística, um papagaio; os papagaios são professores de linguística. Eles vivem em palavras, conceitos, teorias, teologias, e a Vida continua a passar-lhes ao lado.

Refletindo nisso, um desses líderes tornou-se temeroso da morte. Quando alguém tem medo de morrer, é certo que essa pessoa não encontrou a Vida.

Quando se encontra a Vida, não pode haver qualquer medo da Morte. Se uma pessoa viveu a Vida, estará preparada para viver também a Morte.

ηαмαىτε
मस्त



Ahhhh... Voodoo?? escute abaixo...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Cuba e o bloqueio


ONU discute, mas EUA insite em manter bloqueio à Ilha.

Já falamos sobre isso aqui. è um assunto interessante saber como uma pequena ilha do Caribe assusta tanto a ponto de ser vítima do cruel embargo imposto pelo Tio Sam há décadas.

Duas notícias que li hoje destacam a continuidade da ação estadunidense, apesar dos clamores mundiais pelo restabelecimento pleno das relações comerciais, políticas, econômicas e diplomáticas. Leiam abaixo do ADITAL e do OUTRO LADO.

ONU debate bloqueio a Cuba, mas EUA devem continuar desprezando resultados
Natasha Pitts

Amanhã (28), a Assembleia Geral das Nações Unidas se reunirá pelo décimo oitavo ano consecutivo para considerar o projeto de resolução "Necessidade de colocar fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba". A reunião terá a participação do chanceler cubano Bruno Rodríguez.

Mesmo com sucessivas tentativas e com a disposição de Cuba para dialogar e normalizar as relações, segundo análise de Nildo Ouriques, professor do Instituto de Estudos Latino-americanos, com sede em Santa Catarina (região Sul do Brasil), a manutenção ou não do bloqueio é uma decisão que será tomada apenas pelos Estados Unidos.

"Como sempre o bloqueio norte-americano será repreendido e combatido pela ONU. O que provavelmente deve acontecer na reunião é que a ONU vai continuar mantendo as recomendações e os Estados Unidos vão continuar desprezando. O início do bloqueio foi uma decisão unilateral e o encerramento também será", esclarece.

Desde 1991, o embargo vem sendo condenado por uma quantidade cada vez maior de integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1992, 52 se puseram a favor de Cuba, já em 2008 este número subiu para 185. "O crescimento da quantidade de Estados que apoiam Cuba representa uma compreensão cada vez maior de que a suspensão do bloqueio ao país é importante para a descolonização da América Latina", afirma Nildo.

Em seu texto, o projeto de resolução que será discutido amanhã adverte que ainda continuam a promulgação e aplicação de novas normas que têm como objetivo reforçar e ampliar o bloqueio e demonstra preocupação sobre os efeitos negativos dessas disposições sobre a população cubana e também sobre os cubanos que residem em outros países.

O projeto reafirma também os princípios de igualdade soberana dos Estados, não intervenção e não ingerência em seus assuntos internos e liberdade de comércio e navegação internacionais. O documento relembra ainda as 17 resoluções aprovadas pela Assembléia Geral a cada ano, de 1992 até 2008, e as declarações e acordos de diferentes fóruns intergovernamentais, órgãos e governos em rejeição à promulgação e aplicação de medidas repressoras.

Hoje, as vésperas da reunião, diversos grupos estão organizando mobilizações de apoio a Cuba. No Teatro IFT, na cidade de Buenos Aires, Argentina, a população irá se reunir em torno da manifestação "Todos com Cuba - Não ao Bloqueio" para exigir do presidente americano Barack Obama que seja suspenso de imediato o bloqueio e também para que sejam libertados os cinco antiterroristas cubanos detidos nos Estados Unidos.

Mesmo com a manutenção do bloqueio, a ilha segue com avanços expressivos na educação e na saúde. Em 1958, o índice analfabetismo girava em torno de mais de 20% da população. Com a execução da Campanha Nacional de Alfabetização, em 1961, este número caiu para menos de 3,9%, índice inferior a qualquer outro país da América Latina. Esta redução teve como importante iniciativa o incremento da educação nas zonas rurais. Hoje, Cuba é exemplo para o mundo. Por meio do programa "Yo si Puedo", criado por especialistas cubanos, foi possível alfabetizar 3,2 milhões de pessoas em 28 países.

Também na área da saúde a ilha merece destaque. Com o desenvolvimento da "Operação Milagre", em julho de 2004, mais de um milhão de pessoas foram submetidas a cirurgias para recobrar a visão. Diversos profissionais de saúde de 51 clínicas oftalmológicas percorrem, além de Cuba, a Venezuela e diversos outros continentes para chegar à cifra de 1.197.200 pessoas beneficiadas em 32 países.

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Bloqueio impede beisebol cubano de receber US$ 1 milhão

Cuba não pode cobrar a parte que cabe ao país por sua participação no II Clássico Mundial de Beisebol, realizado nos Estados Unidos, devido ao bloqueio, afirmou Tomás Herrera, dirigente do Instituto de Deportes (INDER).

“Ainda não repassaram o dinheiro à equipe cubana por participar do evento”, explicou. Ele disse não saber o montante mas que, segundo as normas do evento, Cuba deveria cobrar 300.000 dólares por estar presente na primeira fase (50% para os jogadores e o restante para a Federação); outros 300.000 por liderar seu grupo, e 400.000 por competir na segunda fase, o que soma um milhão de dólares.

“No entanto, não foi dado o estímulo correspondente a nossos rapazes”, apesar de o torneio ter sido realizado em março, disse Herrera.

No primeiro Clássico de beisebol, cabia a Cuba 7% do lucro do campeonato por ter ficado em segundo lugar, mas ante a impossibilidade de cobrar, devido ao embargo, o governo de Havana decidiu doar o dinheiro para as vítimas do furacão Katrina nos Estados Unidos.

As medidas restritivas em vigor desde 1962 incidem, também, com força, sobre o desporte e seu desenvolvimento, com a impossibilidade de importar implementos, e a necessidade de recorrer a outros mercados como China, com o frete triplicando os custos.

A velocista aposentada Ana Fidelia Quirot, subcampeã olímpica e rainha mundial, disse que “entre 2002 e 2009, os Estados Unidos negaram vistos a 32 delegações cubanas e a 117 pessoas, entre treinadores, esportistas e pessoal técnico”.

Com agências

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tempo, velocidade, blogs e golpismos diários

Tenho andado em outro ritmo ultimamente. Não o ritmo cibernético da rede, nem o ritmo descompassado da cidade; do dia a dia.
Primeiro pensei que estava andando em "slow", mas um dia de folga na primavera ajuda a organizar melhor as coisas e percebi que, no fundo, o problema é que andava (ando; andamos)eu, quase sempre, pelo ritmo dos outros... Muita coisa pra fazer, muita coisa por fazer...
Mas sempre há tempo para recuperar nosso tempo...

Aqui pelos blogs, tenho sido um leitor assíduo de diversas páginas; observador atento da história on-line, quase em tempo real, que vão sendo contadas e construídas nas diferentes redes tramadas ...

Às vezes até escrevo alguma coisa, mas deixo para terminar depois. E quando vejo, lá está mais um rascunho inconcluído na lista de postagens do blog ... Um dia reviso esse "arquivo oculto" ...
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Por ora, o Brasil comemora as Olimpíadas de 2016; a Copa em 2014...
E pouca gente comemora, mas muito louvável é a atuação do Brasil no caso de Honduras.

Além de tudo que se disse sobre o fato de Honduras - o 2º país mais pobre das Américas - poder ser tomado como "tubo de ensaio" para uma reação da direita no continente e que a defesa de Zelaya em Honduras é sim, a defesa da liberdade no Continente todo, me salta ao olhos outra pérola do cinismo midiático no trato ao presidencialismo e a reeleição.


A questão começa com Zelaya contrariando a Constituição ao permitir que o povo hondurenho decida se ele, Zelaya, poderia concorrer a novo mandato subsequente ao atual: ou seja, se permitiria a reelaição no país.

Ato contínuo, a oposição burguesa-classe média hondurenha dá o golpe (é preciso que se diga; não há governo provisório ou governo de fato; há governo GOLPISTA com Micheletti!). Os próceres da direita ecoam a mesma ladainha de "crise da democracia", "poder perpétuo", "ditaduras chavistas se espalhando" e todo aquele chororô diário...

Então começemos a pensar na tal reeleição - que no Brasil já se falou até em "treleição" (sic).


Em meados dos anos 90, FHC I, aprovou a reeleição no Brasil. Naquela época tudo estava em ordem. Não havia abalo a nenhum princípio democrático universal e nem o alicerce da alternância de poder esteve abalado. tudo estava no seu devido lugar - inclusive as altas propinas pagas para aprovar a Emenda Constitucional que criava a reeleição no Brasil. Tucanagens da vida! E veio FHC II...

Anos adiante, Chávez na Venezuela, atravéz de referendos e plebiscitos, sucessivamente ganha a possibilidade de concorrer novas eleições e acumular mandatos em sequência. A Venezuela vira palco das eleições mais vigiadas e fiscalizadas do mundo; e recebe dos observadores internacionais o título de eleições limpas, seguras e democráticas... Mas Chávez é vilanizado mundialmente ...

Com Evo, na Bolívia, deu-se espetáculo similar.


Mas quando Uribe, da Colômbia, cogitou a possibilidade de mais uma reeleição; a caixa de reessonância dos arautos da democracia não ecoou. Aliás, quando Uribe alterou a Constitutição de seu país e instituiu a possibilidade de uma reeleição, nos moldes do modelo brasileiro, e venceu a disputa em 2006 não havia nada de errado. Agora já cogitam a libera~ção para que concorra a mais um pleito, em 2011 - podendo chegar até 15 anos de governo, já que os mandatos presidenciais na Colômbia são de 5 anos. Sem problemas!

Esta breve comparação da história recente escancara o elemento ideológico que cruza nosso continente e garante a medalha de OURO para a Grande Mídia, na modalidade cinismo sem barreiras!